Tema
Quanto tempo leva
Toda transição temporizada precisa de uma duração. A escolha tem duas partes: quanto tempo, em média e quanto esse tempo varia.
A segunda parte costuma ser ignorada — e é ela que decide o tamanho da fila.
Informando a duração
O campo é sempre uma duração, nunca uma frequência. Isso tem página própria, porque confundi-las é o erro mais caro do modelo: Taxa ou tempo médio.
A unidade de tempo
O motor não sabe se 60 são segundos ou minutos — ele só propaga o número. Por isso o modelo tem uma unidade de tempo, escolhida no topo do painel da direita (ms, s, min, h ou d), e todo tempo do modelo está nela: cada transição, o tempo de simulação, o aquecimento e os eixos dos gráficos.
Depois de escolhida, a unidade aparece ao lado de cada campo de tempo (Tempo médio (s)) e nos eixos (Tempo (s), TAFP (s), 1/TAFP (1/s)), para que ninguém precise adivinhar. Enquanto não estiver definida, o painel avisa.
Uma unidade, o modelo inteiro
Misturar segundos numa transição e minutos em outra é o erro mais difícil de enxergar: o modelo roda, e o resultado está errado por um fator de 60. Escolha a unidade antes de digitar o primeiro tempo e converta o que vier em outra.
As três distribuições
| Distribuição | O tempo | Use para |
|---|---|---|
| Exponencial | varia muito | tempos imprevisíveis |
| Normal | varia em torno da média | tempos com variação controlada |
| Determinística | é sempre o mesmo | tempos fixos |
A lista da interface é maior
Ao editar uma transição você vê outras opções — Erlang, Uniforme, Weibull, Gama, Lognormal, Triangular. Elas existem para registrar o que você mediu do processo real, mas o motor simula apenas as três acima: um modelo com qualquer das outras é recusado na execução, e a verificação do modelo avisa antes.
Se o seu processo é uma dessas, aproxime pela mais próxima das três — em geral Normal, ajustando o desvio padrão para bater com a variação medida.
Exponencial
A mais usada, e o padrão. Muitos tempos curtos, alguns bem longos. É a escolha certa quando você não conhece a distribuição, e é a hipótese clássica para chegada de clientes ou requisições.
Pede um valor: o tempo médio.
Normal
Tempos concentrados em torno da média, com dispersão que você controla. Serve para processos regulares mas não exatos — uma máquina que leva "uns 30 segundos", uma tarefa manual padronizada.
Pede dois valores: a média e o desvio padrão. Desvio maior, mais variação.
Determinística
Sempre exatamente o mesmo tempo. Serve para o que é fixo por construção: um ciclo de máquina, um intervalo programado, um tempo de rede garantido.
Pede um valor: a duração.
A variação importa mais que a média
Aqui está o motivo desta página. Quatro simulações do mesmo sistema, todas com atendimento de 5 minutos em média:
| Distribuição | Fila média | Ocupação | Tempo de resposta |
|---|---|---|---|
| Exponencial | 0,50 | 50,0% | 10,0 min |
| Normal, desvio 2 | 0,29 | 50,0% | 7,9 min |
| Normal, desvio 1 | 0,26 | 50,0% | 7,6 min |
| Determinística | 0,25 | 50,0% | 7,5 min |
A ocupação é idêntica nas quatro — 50% em todas. É esperado: se o atendimento leva 5 minutos em média e chega um cliente a cada 10, o atendente trabalha metade do tempo, independente de como o tempo varia.
Mas o cliente espera 33% a mais no caso exponencial do que no determinístico. Só pela variação.
A conclusão prática
Reduzir a variabilidade melhora o sistema mesmo sem acelerar nada. Padronizar um atendimento para durar sempre o mesmo tempo entrega uma espera menor do que um atendimento com a mesma média mas irregular.
E ao contrário: escolher exponencial "por padrão" quando o seu processo é regular faz o modelo prever fila maior do que a real.
Como escolher
Se você tem medições, calcule média e desvio padrão e compare. Desvio próximo da média sugere exponencial; desvio pequeno sugere normal ou determinística.
Se não tem medições, use exponencial. Ela é a hipótese mais pessimista das três, então o modelo tende a superestimar a fila em vez de subestimar — que é o erro mais seguro para dimensionar.
Para chegadas vindas de fora, exponencial quase sempre. Clientes ou requisições independentes chegando ao acaso produzem exatamente esse padrão.
Teste a sensibilidade
Na dúvida entre duas distribuições, rode com as duas. Se o resultado mudar pouco, a escolha não importa para a sua pergunta. Se mudar muito, vale investir em medir o processo real antes de decidir com base no modelo.