Tema
Estacionário ou transiente?
São dois modos de análise, e a escolha não é de gosto: eles respondem a perguntas diferentes. Escolher o errado dá um resultado que parece certo e não responde o que você queria.
A diferença em uma frase
TIP
Estacionário responde "como o sistema se comporta quando está em regime normal". Transiente responde "o que acontece ao longo do tempo até chegar lá".
| Estacionário | Transiente | |
|---|---|---|
| Responde | comportamento em equilíbrio | evolução no tempo |
| Resultado | um número por métrica | uma curva por métrica |
| Pergunta típica | "qual a fila média?" | "quanto tempo até estabilizar?" |
| Custo | menor | maior |
Vendo os dois no mesmo modelo
Usando a fila do primeiro modelo, que começa vazia.
No estacionário, o resultado é um número só:
| Métrica | Valor |
|---|---|
no_sistema | 1,00 |
ocupacao_pct | 50,0 |
No transiente, é a história de como se chegou lá:
| Tempo | no_sistema | ocupacao_pct |
|---|---|---|
| 10 | 0,48 | 35,6 |
| 20 | 0,76 | 43,2 |
| 30 | 0,74 | 44,4 |
| 40 | 0,89 | 49,2 |
| 60 | 0,88 | 45,2 |
| 100 | 0,89 | 45,2 |
O sistema começa vazio e leva cerca de 40 minutos para se aproximar do equilíbrio. Depois disso, oscila em torno dele.
O estacionário não conta essa história — ele já responde direto o valor de regime. E o transiente, sozinho, não diz com precisão qual é esse valor: repare que ele oscila entre 45% e 51% mesmo depois de estabilizado.
Quando usar cada um
Use estacionário quando a pergunta for sobre o comportamento habitual — que é a maioria dos casos:
- Qual a fila média? Quanto o recurso fica ocupado?
- Quantos servidores preciso para o tempo de resposta ficar abaixo de X?
- Onde está o gargalo?
Use transiente quando o tempo fizer parte da pergunta:
- Quanto tempo o sistema leva para se recuperar de um pico?
- O que acontece nos primeiros minutos depois de ligar?
- A partir de que momento a fila passa do limite aceitável?
Cuidados no estacionário
O sistema começa vazio, e esse começo entra na média. No exemplo acima, os primeiros 40 minutos são de aquecimento — se a simulação for curta, eles puxam o resultado para baixo.
Duas saídas, que se complementam:
- Simular por bastante tempo, para o começo virar uma fração desprezível do total.
- Definir um tempo de aquecimento nas opções de execução, que descarta o início da média.
Sinal de simulação curta demais
Rode duas vezes com tempos diferentes. Se os números mudarem bastante, ou a simulação está curta demais, ou o sistema está saturado — veja o final do primeiro modelo para distinguir os dois casos.
Cuidados no transiente
Cada ponto da curva não vem de uma simulação só: vem da média de várias repetições, olhando aquele instante. Isso traz duas consequências.
As curvas têm ruído. É a oscilação de 45% a 51% da tabela acima. Mais repetições deixam a curva mais lisa, ao custo de tempo de execução.
Métricas que dividem por lugares de passagem rápida quebram. Se as fichas passam muito depressa por um lugar, naquele instante ele está vazio na maioria das repetições — a média fica minúscula, e uma divisão por ela devolve zero.
O sintoma
Uma métrica correta no estacionário devolve 0 ou salta de forma errática no gráfico transiente. Não é bug: é a métrica sendo inadequada para esse regime. A página Medir tempo de resposta mostra uma formulação que funciona nos dois.
Resumindo
Comece pelo estacionário. Ele é mais barato, mais estável, e responde a maior parte das perguntas de dimensionamento. Vá para o transiente quando precisar saber quando, e não apenas quanto.